Uma poesia para o sono

Querido sono

Mesmo pouco ou muito, aparece para o homem

Alertando sobre o descanso ou acompanhado pela preguiça

Muitas vezes indicado, mas não muito praticado

Tem seus benefícios, mas quem mal usa se complica

O sono é de longe um bem maior

Que ajuda a recompor as energias

A restaurar até feridas

Tanto no corpo como na mente

Para onde vamos?

Já andamos um bom caminho

Percorremos a estrada com buracos, espinhos e montanhas

Mas agora nos encontramos perdidos na própria trilha

Caminhamos, mas sem saber para onde ir

A cabeça gira, desorientada

Nem lágrimas ou gritos resolvem o problema

Começamos a nos cansar de se achar

Chegando a tristeza, nos perguntamos

Para onde vamos?

As mãos não se tocam

Os olhos não se encontram

Os pés não andam em sincronia

Onde começamos a nos perder?

Em que ponto passamos a seguir sozinhos na mesma vida

Eu não sei a resposta, mas quero encontrar a saída

Não sei onde está, mas vou te achar

E ao te encontrar

Vou segurar sua mão e não soltar mais

Procurarmos juntos a direção certa

E continuar nossa caminhada na vida

Juntos

Junto a você

Depois de um dia corrido

Entro em casa, com cansaço, me desanimo

Contas, gastos, compras

Tudo isso encheu minha mente

Mas tudo ficou diferente

Quando te vi chegando

Me olhou nos olhos

Perguntou como foi meu dia

Sem pedir, tirou meu casaco

Aos poucos percebi

Que não estava sozinho ali

Você estava a me ajudar

E seguimos conversando

Enquanto você colocava o jantar na mesa

E eu bobo fiquei ao te olhar

Que quase não me concentrei

Comi no automático, pois pensei

Que a sua companhia me fazia tão bem

Sem questionar me joguei na cama

Falei que estava cansado

Mas quis ouvir a sua conversa

Sobre o seu dia, suas observações

E aos poucos entendia

Que não era o único que sentia

Os efeitos do trabalho

E aos poucos adormeci

Mas dormi mais fácil ainda

Pois estava nos seus braços

E todo aquele estresse da rotina

Diminuiu quando seu abraço me envolvia

E tive a certeza de estar em paz junto a você

Além do túmulo

Sobre a morte, nesse dia, não é novidade

Pessoas nascem e morrem, e seguem a vida assim

Mas quando é para enxergar além do túmulo, fazemos de cego

Não querendo refletir porque a vida se transforma assim

Pare pra pensar nos sonhos que foram enterrados

Riquezas e pobrezas, nada levado

A vida das pessoas que se foram se encontram a sete palmos

E isso pode trazer uma esperança

Nós, que vivemos até então

Ainda temos como ir atrás dos sonhos

De dizer “eu te amo”, de estar com quem amamos

E a vida passa rápido, sem ter pena de ninguém

Então apesar da certeza da morte, não temos certeza do amanhã

Então que todos os dias seja dado 1% do melhor que podemos ser

Do melhor que podemos oferecer

Do que podemos deixar para os que ficarem quando formos embora

Reflita, enxergue além do tumulo

Por onde eu passar

Por onde eu passar

Quero deixar um rastro de paz

De cor e harmonia

Para iluminar o dia, a vida de alguém

Mas sei que apesar de oferecer tudo de bom que tenho

Uns vão receber e jogar fora

Outros vão admirar, mas não passar adiante

E tem pessoas como você que está lendo este pequeno poema

Que no meio de leituras encontra esses versos que trazem o lema

De que por onde eu passar, posso deixar algo de bom

Porém nem sempre o bem que ofereço será bem recebido

E tudo bem

Nos vemos então

No poema que vem

O que tem o vento?

Um dia olhando para o céu penso nas coisas da vida

Do que vivi, do que espero viver e do que já estou vivendo

Durante o olhar fixo para cima, cheguei a planejar ainda

Coisas aleatórias, mas que faz sentido no momento

O balanço das árvores

O cabelo se movendo

O voo das aves

Respirando

O tempo vai passando, os pensamentos fluindo

Assim como o que é invisível, mas sentido

Como Deus, como o tempo

E o que tem o vento?

Ele passa por nós, respiramos ele

Mantemos nossos corpos vivos, nossos pensamentos

Nossa vida, vemos as mudanças de clima

A viração do dia, o aviso de chuva forte

Tempestades, furacões, marés

Uma coisa se sabe, nunca deu ré

Sempre à frente, seguindo, assim como nós

Sentindo o vento e vivendo a vida

Escrita nova à pena antiga

No tempo que passa

E os mais belos costumes vão mudando

Para melhor ou pior, não sei distinguir

Tem passado rápido demais, mal consigo tocar

E durante as escritas alteradas

Reformulação de fontes, pautas e pinceladas

A escrita traçou novas artes, criando mais ramos

E no meio da árvore das palavras da vida

Encorajo a desvendar novas rimas, só no olhar

Porque posso até soltar um brilho novo aqui e ali

Mas não desfaço do toque antigo, do simples

Então o tempo vai passar

As mesmas palavras seguirão sendo misturadas

Porém continuo a ensinar novas inspirações

Uma escrita nova à pena antiga

(inspiração: música “Moderno à moda antiga” – Marcela Taís)