~Poemas~

Escolhendo outra vez

Abro os olhos

O que consigo ver?

O teto do meu quarto?

A cômoda, a janela?

Somente poucos segundos para despertar

Saio de casa

Para onde vou?

Num parque?

Lanchonete, numa academia?

Essas escolhas montam meu dia

Final da tarde

O que comer?

Uma sopa?

Sanduíche, pastel?

Agradeço às bênçãos que vem do céu

Já chegou a noite

O que posso fazer?

Registrar num diário?

Ver um filme, ler um livro?

Amanhã é outro dia, escolhendo outra vez

~Poemas~

O Caminho da vida

Dos caminhos que me mostraram

Alguns deles eu quis andar

Outros preferi nem dar o primeiro passo

E de tanto andar onde me diziam

Um momento tive que aceitar

Que teria de construir meu espaço

Mas como construir sem saber

Como, quando, o porquê

Já bastavam as opções, terei que decidir

Ao longo do tempo me fiz perceber

Que não adianta pedir para outro escolher

O meu caminho preciso seguir

Disseram que era difícil

Da parte deles, isso foi bom

Então estou a procurar

Entre o pensamento de que seja impossível

Ajustar o relevo, a distância, o som

Aos poucos eu consigo trilhar

E com o tempo eu entendo

Que um dia mostrarei o meu percurso como exemplo

E outra pessoa vai fazer a mesma escolha

Vou caminhando e vivendo

E aproveitando o cenário que contemplo

Fruto de decidir não viver numa bolha

*Textos*

Ex- pen-drive

Numa situação inusitada reencontrei um pen-drive. Parece sem sentido, mas foi um momento bem curioso. Primeiro que o contato com tal objeto foi num contexto do cotidiano, me entregaram para colocar arquivos. Até aí tudo bem. Quando olhei de primeira eu fiquei cogitando na possibilidade de ter sido meu. Havia marcas nele que logo me fez identificar que era meu, ainda fiquei procurando motivos pra desconsiderar, porém, só me fazia concluir mais ainda minha antiga posse.

Não sei se isso é sensibilidade, mas apesar de ser um objeto corriqueiro e atualmente pouco usado, me fez recordar da época em que o tinha, usava para guardar arquivos diversos, de trabalhos a poemas, e isso me remeteu aos vários outros “pen-drives” que tive e perdi, ou por vírus, ou por acidente, ou por esquecimento.

Foi um momento curioso, confesso, e por um instante quis constatar que não fosse meu, pluguei com a entrada do computador, não deu outra, até o título do dispositivo me entregou. Ri por dentro. Um breve pensamento de querer este objeto de volta, mas depois pensei melhor que, como não tem arquivos meus nele, nem é mais meu, vou guardar apenas a cena com graça. E para a pessoa que está com o meu “ex- pen-drive”, faça bom uso, e espero que não tenha problemas com relação ao título (risos à parte).

No mais, talvez eu compre um pra chamar de meu, com marcas e tudo, e seguir a vida tranquilamente.

~Poemas~

Poema pra dizer que escrevi

Não sabia que o peso não seria só da pedra no meio do caminho

Mas do peso extra de culpa que coletava ao longo da estrada

Pedregulho, mania de estocá-los no sapato de linho

Depois reclamar da dor que eu mesma provoquei, vale de nada

Sabotar meus próprios talentos

De que proveito me traria a procrastinação?

Um passo a frente? Meia vitória? Perda de tempo

No fim das contas acabo que começando do zero, em vão

*Textos*

Trilha das letras

Caminhava eu pela trilha das letras, encantada pelas rimas que fazia, atenta aos estrofes que formava, viajava no mundo das palavras, mas não era feliz no meu andar. Ainda cambaleava por um laço cortado, um coração dedecepcionado, um atalho interditado…para sempre. Tendo que continuar meu caminho, firmando novos passos, fazia minhas rimas numa tentativa de manter meus pés no chão, conseguindo montar boa parte do trajeto. Aos poucos a estrada já não estava deserta, havia flores, mesmo que pequenas e ainda por desabrocharem, árvores, um cenário um pouco mais colorido, mais vivo. Tantos passeavam por esse caminho, uns contemplavam as folhagens verdes, outros marcaram passos fortes e apressados, mas havia alguém que se comportava de maneira…diferente. Andava devagar, me observava de longe, olhava de perto a natureza que crescia em meu caminho, gastava tempo admirando as flores, aguardava desabrocharem com paciência e um olhar ansioso. E quando acontecia, dava um suspiro profundo e intenso, com um sorriso bobo e olhos muito abertos. E ficava a encatar-se com os finos traços da beleza tão frágil que custava a aparecer. Prestei atenção neste alguém, andava silenciosa para contemplar mais de perto sua feição, passado um tempo voltava a construir a trilha, quando menos espero, senti vontade de olhar para trás, porém segui na estrada. A cada passo que dava percebia sua presença mais perto de mim, virei de canto e nossos olhares se encontraram. Com paciência e admiração se aproximava de mim, não me sentia insegura ou com medo, parecia com disposição para me conhecer melhor, entender cada pétala de flor que se abria ao longo do caminho. Depois de muito andar, ficou ao meu lado, me olhando com carinho e esperando uma resposta minha. Levantei um sorriso de canto, fixando meus olhos naquela íris que transpareceu sua verdadeira cor em contato com os raios de sol. Devagar, levantei minha mão esquerda, não fugindo da sua visão. Sem pressa, entendi seu leve espanto pelo que fiz, mas foi só questão de tempo até levantar sua mão direita, juntando com a minha. Levantou um sorriso de canto, não fugindo da minha visão, demos alguns passos, se permitiu ser conduzido em meu caminho. Assim prosseguimos pela trilha das letras, fazendo rimas e formando estrofes, construindo obras únicas e cheias de simplicidade.

*Textos*

Acima da colina

Na paisagem de tirar o fôlego, caminhando por entre pedras e galhos secos, avisto a colina a poucos metros. Uma colina verde, regado pela chuva dos últimos dias, mal cheguei nela e já senti o cheiro forte de mato novo, folhagem viva, natureza despejando esperança. Subo até o alto daquela colina, consigo tocar naquele verde quase infinito, uma leve sensação de experimentar o céu por inalação. Sentando-me no meio daquele verde, avisto outra paisagem que a colina me oferece, outras colinas, serras e vegetação misturando a folhagem velha com a nova, uma maravilha. O sol iluminando os cantos da serra com os raios fortes e incandescentes, típicos de um raiar pela manhã cedo. E foi assim que amanheci, vendo esta natureza tão perto de mim, num verde puríssimo, numa vista que mostra obras tão completas.

*Textos*

E que assim seja!

Hoje eu estou pensando diferente, muita coisa tem mudado ultimamente, não somente na minha vida, mas nas pessoas ao meu redor. E claro, não dá pra controlar a vida dos outros, não dá para parar os outros. As mudanças acontecem comigo, com eles também. Me sinto agora meio pensante, lembrando do que está acontecendo com elas e comigo, me pergunto se não poderei acrescentar pelo menos um sorriso na vida delas, um passo em seus caminhos, minha presença em suas vagas lembranças. Me pergunto se devo continuar vivendo neste mundo, se estas mudanças não me mostrariam que no final vale a pena passar por elas. Se for por isso puxo o passado e emendo com o presente resumindo que mudei e sobrevivi a esse fenômeno, talvez eu tenha ainda força o suficiente para passar por mais algumas. Uma estabilidade? Uma pessoa pra amar? Casamento? Filhos? Sucesso na carreira profissional? Não me é permitido ver o que está por vir, na verdade ninguém consegue por inteiro prever o seu futuro. E se eu passei por estas mudanças, encaro mais algumas delas então. Dispenso a bola de cristal, me disponho a desvendar o amanhã com fé, observando os mistérios que compõem a própria vida e o viver. O amanhã é mistério, o Divino é mistério, a vida é feita de surpresas, mas sempre nos surpreenderemos…e que assim seja!